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A Matemática Moderna e o Vestibular
LUÍS GUILHERME LEITE MARTINS

            As mudanças pretendidas no Movimento de Matemática Moderna foram alcançadas em parte. As escolas se adaptaram, os currículos foram modificados, e o ego de alguns professores, estagnados no passado, sofreram mudanças, mesmo com reações contrárias. Mas a abordagem da matemática do passado ainda é encontrada em cursinhos pré-vestibulares e no “terceirão” de algumas escolas que abordam a matemática de forma decorada visando concursos vestibulares ultrapassados.
            As dificuldades da aprendizagem e a pouca prática na vida das pessoas foram elementos motivadores dos trabalhos realizados no Movimento da Matemática Moderna. O ensino na época era o bancário, enaltecido por Paulo Freire, em que nos alunos eram depositados conteúdos e fórmulas sem propósito para o dia- a- dia do cidadão. Era necessário um ensino que despertasse maior interesse do aluno, mas para isso a matemática teria que ser menos formal e mais prática. Um motivador para o aluno na aprendizagem dos conteúdos somente é obtido quando o aluno verifica a oportunidade de compreender a matemática de forma útil na sua vida. As transformações no ensino no Brasil ocorrem de forma lenta e por causa disso ficam muitas vezes imperceptíveis e até ignorada por muitos professores, que continuam a darem suas aulas da mesma forma que eram alunos das décadas de 60 e 70. Com isso, muitas vezes, as mudanças de currículos e da prática pedagógica só acontecem algumas gerações depois. A semente lançada pelo movimento da matemática moderna motivou o tecnicismo, colocando a matemática junto à ciência e tecnologia, tornando-a uma disciplina mais interdisciplinar, ensinando o aluno a preocupar-se com as aplicações técnicas. As marcas do movimento são encontradas nos diversos concursos públicos e, principalmente, nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática onde os conteúdos são abordados de formas bem mais práticas, revelando o fruto de uma modernização da matemática escolar brasileira, ao contrário do que ocorre nos cursinhos pré-vestibulares, que preocupados com a aprovação no concurso vestibular depositam os conteúdos matemáticos em seus alunos. A chegada do vestibular muda esse panorama, obrigando alunos que viveram a matemática moderna em sala de aula a voltarem a décadas de 70 e 80 e estudarem de forma decorada, esquecendo a praticidade da aplicação matemática em função da necessidade de passar no vestibular.
            O ingresso nos concursos vestibulares ainda é um tabu que deve ser superado. A dedicação do aluno em bancos escolares durante 13 anos de educação básica, não podem ser substituídas por provas do ENEM e do Vestibular. Suas avaliações escolares nesses 13 anos é o que deve contar para a aprovação nas universidades, preservando desta forma a educação prática da matemática moderna tão almejada no movimento do passado.


Ensinar com Amor – Um exemplo a ser seguido.

LUÍS GUILHERME LEITE MARTINS

Estive presente, recentemente, entre os dias 01 e 03 de agosto de 2012, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) onde ocorreu a 3ª ESCOLA DE INVERNO DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA. Evento que visou a congregar professores de Matemática dos ensinos fundamental, médio e superior, alunos de cursos de licenciatura em Matemática e de Pedagogia e estudantes e professores de Programas de Pós-Graduação em Educação Matemática e áreas afins para discutir questões teórico-metodológicas relacionadas ao processo de ensino e de aprendizagem das matemáticas na Educação Básica e questões relativas ao processo de formação inicial e continuada do docente de Matemática desse nível de ensino. O tema proposto para a 3ª Escola de Inverno de Educação Matemática foi Políticas Públicas no contexto da Educação Matemática: implicações na sala de aula.
Foram 16 palestras onde foram debatidas avaliação, práticas docentes, currículo, políticas públicas e formação de professores e 23 minicursos relacionados a temas diversos que tiveram como foco principal a educação matemática. Mas só me foi permitido assistir 7 palestras e participar de 2 minicursos, já que para assistir a tudo teria que permanecer na UFSM por mais de 1 mês e mesmo assim não participaria de todos os eventos, visto a grandiosidade e diversidade de propostas educacionais a disposição.
Entre os que participei, gostaria de comentar o minicurso que tinha como título “A Metodologia de Ensino-Aprendizagem-Avaliação de Matemática através da Resolução de Problemas contribuindo para o trabalho dos professores de Matemática em sala de aula” apresentado pela Professora Doutora Lourdes de la Rosa Onuchic. A Prof Lourdes possui graduação em Bacharelado e Licenciatura em Matemática pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras(1954) , mestrado em Matemática pela Escola de Engenharia de São Carlos-USP(1971) e doutorado em Matemática pelo Instituto de Ciências Matemáticas de São Carlos-USP(1978) . Atualmente é Professora voluntária da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Revisor de periódico da Zetetike (UNICAMP), Revisor de periódico do Educação Matemática Pesquisa e Revisor de periódicoda Acta Scientiae (ULBRA).
Além de o tema ser de grande interesse e muito necessário na aprendizagem da matemática, pois são nas resoluções dos problemas do cotidiano que desperta o interesse e a aprendizagem da matemática. O que mais me impressionou foi à vontade de ensinar de uma senhora da melhor idade, graduada em 1954. A maneira que essa senhora explicou com propriedade e educação incentivou os alunos, graduandos, graduados, especializados e mestres. Além da aprendizagem compartilhada, foi uma lição de vida para todos. Aprendi matemática de uma forma diferente, investigadora e desafiadora, um exemplo de uma profissional cheia de vida, paciente e dedicada.


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